CRESS/AL dá sequência à publicação dos textos da Agenda do Assistente Social 2018

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O Conselho Regional de Serviço Social da 16ª região – CRESS/AL, através da gestão "A luta nos movimenta, a resistência nos fortalece" dá sequência,  nesta sexta-feira, dia 16, às publicações da série de textos da Agenda do Assistente Social 2018 - Comemorativa aos 25 anos do código de Ética cujo tema é: “Sou Assistente Social e tenho minhas bandeiras de luta".

O material que será apresentado foi produzido pelo CFESS. Os textos são de autoria de Cristina Brites, assistente social e professora da UFF/Rio das Ostras e as artes foram confeccionadas por Rafael Werkema do CFESS.

As publicações serão publicadas aqui no portal do CRESS/AL todas as segundas e sextas-feiras do mês de outubro, novembro e dezembro.

Abaixo confira a publicação referente ao mês de Julho:

Empenho na eliminação de todas as formas de preconceito, incentivando o respeito à diversidade, à participação de grupos socialmente discriminados e à discussão das diferenças.

O irracionalismo e o fundamentalismo vincam a multifacetada barbárie contemporânea do capitalismo mundial. Reconhecemos suas presenças nas ações beligerantes do imperialismo, nos atentados terroristas, nos crimes de ódio que engrossam as estatísticas de extermínio de negros/as, de pessoas em situação de rua, de jovens em conflito com a lei, de homossexuais e de transexuais; nos feminicídios e estupros coletivos, assustadoramente cada vez mais frequentes.

E por que isso acontece? Essa é uma pergunta frequente que as pessoas se fazem diante da barbárie. Contudo, na maioria das vezes, sem compreender que estas violências extremas não são nem episódicas e tampouco desconectadas das expressões cotidianas do preconceito, da discriminação e da intolerância. A maioria das pessoas não consegue identificar a relação entre a barbárie extrema e o racismo, o machismo, a fobia à população LBGT e a intolerância religiosa que coalham de ódio o solo cotidiano.

O modo de vida mediado por coisas, baseado na exploração do homem pelo homem e na apropriação privada da riqueza social produz desumanização, cujas causas precisam ser ocultadas pela classe dominante, para não colocar em risco a manutenção da sociabilidade burguesa. O indivíduo social confrontado pelo caráter bárbaro da realidade social procura entender, se proteger e reagir à hostilidade do cotidiano desumanizado. O irracionalismo e o fundamentalismo encontram no cotidiano alienado e violento do capitalismo um terreno fértil para se alastrar, oferecendo elementos que explicam a barbárie como fenômeno isolado, como desvio moral, como manifestação do mal encarnado por determinados grupos humanos.

Neste registro conservador, a barbárie passa a ser explicada, e compreendida, destituída de suas determinações histórico-sociais. Numa operação mistificadora da realidade, o irracionalismo e o fundamentalismo alimentam o ódio contra tudo e todos que, nesta visão, personificam o mal e ameaçam os “homens de bem”. Como na letra do poeta Buarque, há sempre “uma gente ordeira e virtuosa”, executando pelas próprias mãos ou clamando pelo uso da força contra grupos humanos considerados inferiores, imorais, violentos, perigosos e aberrantes.

A estrutura heterogênea, fragmentada, imediata, espontânea e repetitiva do cotidiano favorece a reprodução do senso comum, de formas irracionais de compreensão da realidade e do preconceito.

O preconceito é alimentado por juízos de valor baseados no senso comum, pelo medo do desconhecido, pela incompreensão do diferente, gerando concepções e atitudes irracionais, intolerantes e discriminatórias. O preconceito é avesso à razão, à liberdade e à autonomia; por isso, contrário à ética profissional do Serviço Social. O preconceito é fonte cotidiana de violência, de humilhação e de intolerância, impedindo o respeito à diferença, à diversidade e à manifestação da individualidade livre.

O conservadorismo moral, o irracionalismo e o fundamentalismo religioso alimentam inúmeras formas de preconceito contra segmentos sociais considerados perigosos para a moral dominante, para a família tradicional e para a ordem social: negros/as, homossexuais, transexuais, lésbicas, usuárias/os de substâncias psicoativas, deficientes, idosos/as, pessoas com sofrimento psíquico são cotidianamente submetidas a situações de constrangimento, discriminação, humilhação e violência.

A recusa de toda forma de preconceito é uma exigência ética para a/o assistente social, pois sua formação teórico-crítica e os valores autenticamente humanos defendidos pela categoria profissional supõem que o trabalho profissional seja fundamentado em conhecimento crítico sobre a realidade e orientado pela afirmação de direitos, pelo respeito à diversidade e pela recusa de todas as formas de opressão, dominação e desumanização. Esta exigência ética implica na crítica radical sobre o significado histórico dos valores, da moral e das concepções de homem e de sociedade que são incorporadas no processo de socialização. O empenho na eliminação dos preconceitos exige a identificação das manifestações particulares e o confronto crítico do moralismo, do irracionalismo, do fundamentalismo e da intolerância presentes no cotidiano social e profissional.

Este empenho é também um exercício de autoconsciência, de reflexão ética sobre a moralidade e as escolhas de valor do próprio agente profissional. Neste princípio fundamental da ética profissional, coloca-se também o compromisso político com a visibilidade das bandeiras de luta dos grupos socialmente discriminados, por meio do reconhecimento de suas reivindicações e da articulação do trabalho profissional com suas estratégias coletivas de luta pela afirmação de seus direitos.

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