CRESS/AL apresenta a série de textos da Agenda do Assistente Social 2018

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O Conselho Regional de Serviço Social 16ª região – CRESS/AL, através da gestão "A luta nos movimenta, a resistência nos fortalece" apresenta a partir desta sexta-feira, dia 26 a série de textos da Agenda do Assistente Social 2018 - Comemorativa aos 25 anos do código de Ética que tem como tema: "Sou Assistente Social e tenho minhas bandeiras de luta".

O material que será apresentado foi produzido pelo CFESS. Os textos são de autoria de Cristina Brites, assistente social e professora da UFF/Rio das Ostras e as artes foram confeccionadas por Rafael Werkema do CFESS.

As publicações serão publicadas aqui no portal do CRESS/AL todas as segundas e sextas-feiras do mês de outubro, novembro e dezembro.

Confira abaixo a publicação referente ao mês de Janeiro:

Cotidiano e os desafios éticos para a/o assistente social

Em 2018, comemoram-se 25 anos do Código de Ética da/o Assistente Social. Sim, comemoramos. Mas o que exatamente, já que, no cotidiano profissional, os limites parecem cada vez mais intransponíveis à efetivação dos princípios e valores da ética profissional? Comemoramos, porque, para o Serviço Social brasileiro, comemorar é ação que se conjuga com luta. E lutar é se nutrir da força coletiva que cava possibilidades de liberdade na complexidade do devir histórico. Comemorar é também trazer à memória, reconhecer o valor e revigorar as potencialidades daquilo que nos representa porque nos humaniza. Por isso, este um quarto de século do Código de Ética Profissional evoca muitas comemorações e lutas, sobretudo no atual estágio de aprofundamento da barbárie burguesa, que torna ainda mais imprescindível a defesa dos valores e princípios éticos do Serviço Social.

A ética profissional das/os assistentes sociais brasileiras/os foi lapidada por muitas mãos, num processo coletivo que demandou organização política e investimento intelectual. Processo cunhado nos anos iniciais da década de 1990, a partir dos avanços do Código de 1986, num contexto no qual o Brasil enfrentava uma das crises da dominação burguesa e os apelos à ética na vida pública e na política serviam à sua fetichização e consequente desvalorização¹. Naquela conjuntura, o Serviço Social brasileiro não se rendeu aos conclamos idealistas de uma ética abstrata, desprovida de materialidade histórica e de sujeitos concretos. Na direção contrária, a categoria profissional ancorou sua concepção de ética e a defesa de valores humano-genéricos nas potencialidades emancipadoras da práxis, nas possibilidades históricas abertas pelo processo de autoconstrução humana. Escolha inédita e ousada, fundamentada na ontologia do ser social, portanto avessa ao formalismo, legalismo e corporativismo, articulando as escolhas valorativas da profissão ao horizonte da emancipação humana.

O código, expressão normativa da ética profissional, é um componente central e valoroso do projeto hegemônico do Serviço Social brasileiro. Seus valores, princípios, deveres e direitos revelam o amadurecimento intelectual e a autoconsciência da categoria profissional sobre o significado de seu trabalho e sobre a direção ética e política que almeja imprimir nas respostas cotidianas que elabora às expressões da questão social. Uma autoconsciência crítica, capaz de compreender os desafios e os limites que a sociabilidade burguesa coloca para a vida ética, mas, sobretudo, capaz de tecer, nas teias da desumanização cotidiana, os laços, os elos e as bandeiras que resistem e fortalecem nossas barricadas em defesa da ética, da liberdade e da vida plena de sentido autenticamente humano. Como a poesia e as artes em geral, a ética, e na sua particularidade a ética profissional, é realização criativa, requer conhecimento, planejamento e domínio dos meios necessários à sua efetivação objetiva. Requer também uma boa dose diária de inquietação, de inconformismo diante de qualquer injustiça, violência, discriminação, autoritarismo, moralismo e intolerância. Supõe uma disposição reflexiva, atenta e solidária, que não se omite, não silencia, se indigna e se move na direção das forças políticas que visam à superação de toda e qualquer forma de desumanização, especialmente daquelas que parecem inevitáveis e imutáveis.

Por isso, nesta Agenda Assistente Social 2018, a comemoração dos vinte e cinco anos do Código de Ética Profissional rende homenagem à beleza das realizações éticas, transitando por seus princípios e valores e vinculando-os às criações artísticas e à luta política que visam à desalienação do cotidiano. A ação ética é essencialmente bela e, como tal, não pode ser padronizada e tampouco aprisionada aos limites do possível. É bela, porque nos realiza, ao mesmo tempo em que nos ultrapassa, afirmando uma individualidade enriquecida, plasmada pela realização da genericidade emancipada dos limites da barbárie. É bela, porque afirma nossa condição de sujeitos históricos e racionais, capazes de construir um devir que comporte as múltiplas possibilidades da liberdade. É bela, porque realiza a conexão com o humanismo autêntico, afirmando-se como ação autônoma capaz de romper, ainda que de forma relativa, com o amesquinhamento cotidiano do utilitarismo e da mercantilização da vida.

A ação ética é libertadora e, exatamente por isso, é artigo raro, de efetivação complexa. No capitalismo, a ação ética é “um rosto exposto em pleno baile de máscaras”². Por ser ação que se contrapõe à desumanização, afirmação das possibilidades de liberdade, realização da beleza genuína do autenticamente humano, a ética profissional merece ser comemorada nos femininos da luta política, da poesia, da criação, das artes e da desalienação cotidiana.

Referências:

1 - BARROCO, M.L.S. e TERRA, S. Código de Ética da/o Assistente Social comentado. São Paulo: Cortez, 2012

2 - Magiezi, Z./Estranherismo/e-book, posição 707

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